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A missão de ninah Livro 1 Runas e Reinos

Capítulos 1

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A missão de Ninah A cerimônia e a missão

Capítulo 1 Reencontros e surpresas

O bosque estava inquieto naquela noite, Ninah logo percebeu, não sabia o que era, mas algo muito importante estava prestes a acontecer. E o que tornava mais suspeita a situação, era o fato de que Erik tinha ido até o local onde foi sua moradia por um ano, para buscá-la durante a noite, para levá-la até sua tia, que ficava no meio da floresta. Algo muito diferente da sua rotina, não estava certo vê-lo ali, a não ser é claro que sua tia tenha dado a missão ao guardião. E o que era mais estranho, ele estava com roupas cerimoniais, e estas só eram usadas quando algum membro estava no fim de seu treinamento ou quando alguém tinha sido morto em batalha.  Ela não sabia se ficava lisonjeada por ser convidada a participar de uma cerimônia de aprovação ou se ficava triste por mais um soldado morto. Nessas reuniões só os soldados e guardiões podiam assistir. “Acho que deve ser a morte de um soldado, afinal Erik não parece tão feliz, e as cerimônias de iniciação geralmente são momentos de verdadeira alegria”. Na metade do caminho quando o silêncio já estava insuportável, Ninah resolve puxar assunto.   — Humm! Me diga, como estão as coisas com seu mestre?  — “Acho que esse deve ser um assunto tranquilo.” — Ela pensa esperando-o responder. — Nada de novo da parte dele. — Ele responde. — Claro é bem difícil acontecer algo novo com o mestre Veron. - Foi um meio sorriso que ela viu ou foi só sua imaginação.  Era muito bom ver ele de novo, mesmo que ela não admitisse isso em voz alta, mesmo na meia luz da lua que passava por entre as árvores, ela pode admirar seu cabelo longo e loiro, e dava para perceber que ele já não era mais um garoto, os anos que Erik passou sozinho nas cavernas, tinham transformado um rosto fino e delicado de uma criança, em um rosto de homem, com expressões fortes e endurecidas, ela notou que ele também tinha ganhado uma leve cicatriz na boca do lado esquerdo. — Então… que tal você me dizer por que minha tia quer me ver a essa hora da noite. — Ela usou seu charme na voz, levemente, quase imperceptível. — Nada disso, senhorita Ninah, essa vozinha não vai funcionar, não vou cair em seus truques da mente! — Ele fala com um tom brincalhão, mas antes de continuar sua expressão muda, ele fica mais sério. — A senhora Margo me pediu para levar você e só, a ordem foi clara. — Por favor!? Você sabe que nunca gostei de surpresas.  — Ninah tenta de novo com mais ternura do que antes. — Hahaha! Você não mudou nada mesmo não e!? Agora eles estavam mais como antes, a conversa mais solta e espontânea, conversando normalmente sem formalidades e regras. E era assim que ela gostava. Isso a lembrou um pouco de como era antes, como os dois eram, o que a deixou com uma pontada de tristeza, mas não deixou que ele notasse. — Vamos! Só estamos nós dois aqui, não tem problema você me contar. — Você sabe que está proibido usar seus truques da mente em mim, não sabe? — Agora ele estava rindo de verdade, sua risada calorosa ecoava por entre as árvores. — Além disso, não vai funcionar comigo, eu sou imune agora. Apesar de ele ter mudado fisicamente durante seu treinamento, o sorriso era o mesmo que Ninah lembrava, aquele sorriso, era uma das coisas que ela mais sentiu falta durante o tempo de reclusão, é que Erik sorria com os olhos também, todo seu rosto se iluminava, e fazia o mais triste ser da terra se alegrar, ele irradiava felicidade e logo ela se viu rindo também. — E você sabe que eu não preciso disso? — Ele põe um dedo na testa de Ninah, como se ela fosse aquela menininha ainda, mostrando que não precisava dos truques mentais. —  Para saber o que você está querendo fazer, o problema é que você é muito previsível. — Ele cruza os braços com ar de superioridade. — E isso é uma… —- Ninah para no meio a frase, pois algo chamou sua atenção — você ouviu isso? O silêncio era tanto naquela parte da floresta, e a surpresa de ouvir várias vozes ao mesmo tempo, que fez Ninah parar de andar e esquecer do que estava falando. — Ninah? — O guardião chama, mal percebendo que já está sussurrando. — É sério! Você não está ouvindo? — ela olha ao redor, procurando os donos das vozes que está ouvindo. As vozes começaram a ficar tão altas que era impossível continuar andando. Sem perceber ela já estava abaixada no chão com as mãos tampando seus ouvidos. Erik se abaixa na sua frente em posição de ataque, à espera do que quer que viria a seguir, pensando que talvez um inimigo estivesse à espreita usando truques da mente. — O que você está ouvindo? — Ele pergunta meio atônito tentando entender a situação. Agora qualquer vestígio de sorriso tinha sido substituído por uma expressão séria e preocupada, sua voz saiu baixa e rouca, mas Ninah não conseguia compreender, só o que ela ouvia eram as vozes. — AIIII! Faça isso parar! Elas estão gritando, minha cabeça vai explodir. — Ninah não conseguia se concentrar, as vozes são cada vez mais intensas e altas. — Paremmmmm! — ela grita em uma ordem. Erik se assusta com o grito da fada, virando para encará-la, ele a toca gentilmente no ombro, e ela sem forças cai em seus braços. — Ninah! Está tudo bem? — A preocupação em sua voz é perceptível. — O barulho... Parou! — Ninah está ofegante e mole em seus braços. — O que você ouviu? — Ele pede com urgência e preocupação. — O que? Essas vozes foram só em minha cabeça? — Ele olha confuso para ela, tentando entender toda a situação. — Sim! E confesso que você me deixou confuso e preocupado.  — Erik! Eram as árvores. — Ela começa a compreender o que aconteceu. — Todas as árvores daqui eu acho. Ele levanta Ninah delicadamente, e continua encarando-a. — E o que elas disseram? — Eu não entendi direito! O barulho era muito alto, e todas estavam falando ao mesmo tempo. Ela finalmente consegue ficar de pé sem o apoio, e achando que Erik também não está muito confortável com a proximidade de seus corpos. — Desculpa! — pede ela em tom de culpa. — Pelo que exatamente? — Erik está confuso pela mudança na voz da fada. — Por tocar em você, sei que não é permitido, então me desculpe. — Sem problema, aqui o motivo foi diferente. — Ele responde meio sem jeito. — Mas voltando ao assunto você não entendeu nada do que elas gritavam? Ela toca a têmpora com o dedo indicador, a ausência do barulho parecia fazer eco em sua cabeça. — Não! — ela tenta se concentrar. — Apenas entendi uma frase, “A escolhida”, eu sei lá mais o que, mas não sei o que significa. Ninah não tem coragem de falar em um tom de voz normal e por isso sussurra isso para Erik. Ele vira de costas para Ninah e continua a caminhada que foi interrompida rumo ao caminho da senhora Margo. — Ei... — Ela tenta acompanhá-lo. — Espera! — Vamos a senhora Margo foi bem clara em me dizer para não demorar. — Ele assume uma postura séria novamente, e uma tensão em sua voz que ela não tinha ouvido antes era presente agora, isso a deixa realmente irritada, afinal ele não ligava para o que tinha acontecido ou estava escondendo algo dela? com confiança Ninah passa a frente de Erik para o encarar. — Eu quero saber o que está acontecendo. — Agora ela está emburrada e com os braços cruzados na frente do corpo decidida a descobrir o que ele está escondendo... — Eu não sei! — Ele fala com sinceridade, mas com dificuldade, “afinal ela porque ela fica tão fofa assim?”, ele segura o riso, sabendo que isso a deixaria mais irritada ainda. Ninah não consegue acreditar no que ele diz, e sua expressão mais determinada. — Eu não quero fazer isso Erik. — Ela ameaça. — Não me force a fazer isso. Ele a encara e ela mantém o olhar, eles ficam nessa comunicação silenciosa por um tempo então ela decide – Muito bem! — Diz Ninah, chateada pelo que ele a força a fazer em seguida. Parada no mesmo lugar, ela endireitou sua postura, levanta o queixo e diz com autoridade. — Eu quero saber o que está acontecendo! — Ondas de poder rodopiam entre eles enquanto ela dá o comando. Erik se espanta com a força da ordem que é dada, mas não deixa que ela perceba, não tendo outra escolha, ele se ajoelha atingido pela ordem, pela força das palavras. — Senhorita mil perdões, mas não posso... — Ele se lamenta, sentindo dor, seu rosto transtornado. — Quero saber por que essas vozes estavam gritando em minha cabeça “A escolhida”, o que significa? — Já disse que eu não sei! — Repete ele rangendo os dentes. Um vento sopra de repente fazendo com que a folhagem no chão se levantasse e rodopiou pelo ar em volta deles, as árvores balançando com o forte vento, nada disso está relacionado com o poder que Ninah impõe agora. — Parece que elas esperam algo grande esta noite — Ela resmunga apreensiva sentindo um arrepio na coluna. — Senhorita por favor vamos. — Erik ainda ajoelha implora. — A senhora Margo a espera.  Ela parece esquecer que ele ainda está sobre o poder da ordem dada, o liberando com um balançar de mão, Erik se sente livre novamente levantando-se, espera pelas próximas ordens de Ninah, ela odiava isso, o fato de ter o poder de lhe causar dor só com algumas palavras, por ele ser guardião e ter que esperar por suas ordens, obedecer a tudo o que ela dissesse exceto é claro, quando a primeira ordem vinha de sua tia. — Vamos! — Ela diz se rendendo, e esperando que ele tome a dianteira para guiá-la pelo caminho. Ele fica calmo, vendo Ninah voltar ao seu jeito habitual, era raro vê-la em sua majestade, usando o DOM, e é claro, ele sabia o quanto ela odiava tratá-lo como um servo. — Sim, senhorita! Vamos, por aqui. Ele a conduz pelo caminho agora silencioso, pois o medo de um e a expectativa do outro pairavam sobre eles. 

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